O breathwork tem sido investigado como uma prática capaz de induzir estados alterados de consciência por meio da modulação intencional da respiração. Estudos recentes buscam compreender não apenas a experiência subjetiva desses estados, mas também suas bases neurofisiológicas.
Uma pesquisa utilizando uma abordagem neurofenomenológica combinou relatos subjetivos detalhados com medições de atividade cerebral por meio de eletroencefalografia (EEG). Os resultados indicaram que experiências semelhantes às observadas em estados psicodélicos podem emergir durante sessões de breathwork, incluindo sensações de expansão emocional, introspecção e bem-estar.
Essas experiências foram associadas a um aumento na complexidade dos sinais neurais, medida por um indicador conhecido como complexidade de Lempel-Ziv*. Esse tipo de aumento na diversidade da atividade cerebral já havia sido descrito em estudos com substâncias psicodélicas, sugerindo possíveis paralelos entre diferentes formas de indução de estados alterados de consciência.
O estudo também destaca a importância de analisar a experiência ao longo do tempo, e não apenas como um estado fixo. A utilização de métodos que acompanham a dinâmica da experiência subjetiva permitiu observar como diferentes dimensões — como intensidade emocional, clareza mental e sensação de conexão — evoluem durante a prática.
Outro ponto relevante é que essas mudanças parecem estar relacionadas a aspectos não lineares da atividade cerebral, o que indica que estados induzidos por breathwork podem envolver reorganizações complexas no funcionamento neural, e não apenas aumentos ou reduções simples de ativação.
Apesar desses achados, os autores ressaltam que se trata de um campo ainda emergente. O estudo foi realizado com um número limitado de participantes e faz parte de uma literatura em desenvolvimento, o que reforça a necessidade de pesquisas futuras para validar e aprofundar esses resultados.
De forma geral, as evidências sugerem que o breathwork pode atuar como uma ferramenta capaz de induzir estados subjetivos profundos, com possíveis implicações para a compreensão da consciência e para aplicações terapêuticas.
*Nesse contexto, a complexidade de Lempel-Ziv é usada como uma medida da diversidade e imprevisibilidade dos sinais cerebrais captados pelo EEG, indicando quantos padrões distintos surgem ao longo da atividade neural. Um aumento nessa complexidade sugere que o cérebro está exibindo uma dinâmica mais rica e menos repetitiva, o que pode estar associado a estados de maior flexibilidade cognitiva ou consciência expandida induzidos pelo breathwork..
Referência
- Breathwork-induced psychedelic experiences modulate neural dynamics. Disponível em: https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2024.02.19.580985v2