Você está deitado no sofá, sem nenhum problema imediato para resolver e, ainda assim, sente o coração acelerado, um aperto no peito e a sensação de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento. Se isso soa familiar, saiba que você não está sozinho.
A ansiedade é uma das experiências mais comuns da vida moderna. No entanto, poucas pessoas sabem que ela tem uma relação profunda com o funcionamento do corpo. Afinal, antes de se transformar em pensamento, a ansiedade costuma começar como uma reação física.
Neste texto, você vai entender a relação entre ansiedade e sistema nervoso, descobrir por que o corpo pode permanecer em estado de alerta mesmo sem perigo real e conhecer caminhos práticos para recuperar a sensação de segurança.
O alarme interno do seu corpo
Para começar, imagine que o seu corpo tem um sistema de alarme. Ele foi desenvolvido ao longo da evolução para proteger você de ameaças. Quando o cérebro percebe um perigo, uma pequena estrutura chamada amígdala dispara o sinal, e o sistema nervoso simpático entra em ação.
Em poucos segundos, o coração acelera, a respiração fica mais curta, os músculos se contraem e hormônios como a adrenalina e o cortisol são liberados. Dessa forma, o corpo fica pronto para lutar ou fugir.
Essa resposta é extremamente útil diante de um risco real. Porém, o cérebro nem sempre distingue com precisão um perigo concreto de uma preocupação. Ou seja, um e-mail difícil, uma conta para pagar ou uma conversa pendente podem acionar o mesmo alarme que, no passado, servia para escapar de um predador.
Por que o alarme não desliga?
Em um corpo equilibrado, depois que a ameaça passa, o sistema nervoso parassimpático assume o controle e conduz o organismo de volta à calma. Entretanto, quando o estresse é constante, o alarme dispara tantas vezes que o corpo passa a viver em estado de prontidão.
Diversos fatores contribuem para isso. Entre eles, estão o excesso de responsabilidades, a falta de pausas, as noites mal dormidas, o consumo exagerado de notícias e redes sociais e até o excesso de cafeína. Além disso, períodos de incerteza, como mudanças no trabalho ou na vida pessoal, deixam o cérebro mais atento a possíveis riscos.
Com o tempo, esse estado se transforma em hipervigilância. Consequentemente, você passa a examinar o ambiente em busca de problemas, antecipa cenários negativos e tem dificuldade de relaxar, mesmo nos momentos tranquilos.
O ciclo entre corpo e mente
Um aspecto importante da ansiedade é o ciclo que se forma entre as sensações físicas e os pensamentos. Por exemplo, você percebe o coração acelerado e interpreta isso como sinal de que algo está errado. Em seguida, essa interpretação gera mais preocupação, que, por sua vez, acelera ainda mais o coração.
Assim, corpo e mente se alimentam mutuamente. Por esse motivo, muitas pessoas tentam controlar a ansiedade apenas com pensamentos positivos e se frustram quando isso não funciona. Na prática, o caminho costuma ficar mais fácil quando incluímos o corpo no processo.
Do mesmo modo que o corpo pode disparar a ansiedade, ele também pode ajudar a desligá-la. Sendo assim, enviar sinais físicos de segurança é uma das formas mais eficientes de interromper esse ciclo.
Como mostrar ao seu corpo que ele está seguro
A seguir, você encontra práticas simples que ajudam o sistema nervoso a sair do modo de alerta.
Nomeie o que você está sentindo
Pode parecer simples demais, mas colocar a emoção em palavras faz diferença. Pesquisas da Universidade da Califórnia em Los Angeles mostraram que nomear sentimentos, como dizer “estou com medo” ou “estou ansioso”, está associado à redução da atividade da amígdala. Portanto, reconhecer a emoção já é uma forma de acalmá-la.
Use os sentidos para voltar ao presente
A ansiedade costuma levar a mente para o futuro. Por isso, a técnica 5-4-3-2-1 ajuda a trazer a atenção de volta ao agora. Observe cinco coisas que você vê, quatro que pode tocar, três que escuta, duas que consegue cheirar e uma que pode saborear.
Respire com calma
Prolongar a expiração é uma das maneiras mais rápidas de ativar a resposta de descanso. Inclusive, aqui no blog, já apresentamos cinco técnicas de respiração para acalmar o sistema nervoso que podem ser feitas em poucos minutos.
Movimente o corpo
Caminhar, alongar ou dançar ajuda a liberar a energia acumulada pela resposta de luta ou fuga. Afinal, o corpo se preparou para agir, e o movimento permite concluir esse ciclo de forma natural.
Reduza os estímulos
Diminuir o tempo de tela, principalmente antes de dormir, e escolher momentos específicos para ler notícias também ajudam. Desse modo, o cérebro recebe menos motivos para disparar o alarme ao longo do dia.
Quando procurar ajuda profissional
Vale lembrar que todas essas práticas são apoios importantes, mas não substituem acompanhamento especializado. Caso a ansiedade seja intensa, frequente ou atrapalhe sua rotina, seu sono e seus relacionamentos, procure um psicólogo ou médico. Buscar ajuda é uma atitude de cuidado consigo mesmo.
Seu corpo pode reaprender a se sentir seguro
Viver em estado de alerta é cansativo. Contudo, a boa notícia é que o sistema nervoso é capaz de aprender novos caminhos. Aos poucos, com práticas repetidas e paciência, o alarme interno passa a disparar com menos frequência e, consequentemente, a calma se torna um lugar cada vez mais conhecido.
Por fim, lembre-se de que cada pequena pausa, cada respiração consciente e cada momento de presença contam nesse processo.
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