Respirar pode aliviar o burnout?

O que um novo estudo com profissionais de saúde descobriu

by Vanessa Scott

Burnout não é falta de força de vontade. É o que acontece quando as exigências da vida superam a nossa capacidade de recuperar, e quem trabalha na saúde conhece isso de perto. Um estudo publicado este ano na revista Eskisehir Medical Journal quis saber se uma prática específica, a respiração consciente conectada, poderia ajudar.

O que os pesquisadores fizeram

Uysal e colegas acompanharam 52 mulheres profissionais de saúde na Turquia. Elas participaram de sessões de respiração consciente conectada (CCB, na sigla em inglês): uma respiração contínua e rítmica, sem pausa entre a inspiração e a expiração, a mesma que praticamos na PEP e na Bermuda Breathing Clinic. Cada sessão durava cerca de uma hora e meia: um aquecimento curto com movimento, 45 minutos de respiração contínua pela boca, deitada, com música, em grupos de seis a dez pessoas com um facilitador para cada três, e uma meditação de dez minutos respirando pelo nariz para fechar. Antes da primeira sessão e depois da terceira, a equipe mediu o burnout (escala de Maslach), a autoestima (escala de Rosenberg) e a autocompaixão.

O que encontraram

Depois das sessões, a exaustão emocional caiu de forma significativa e a sensação de realização pessoal aumentou; a resiliência também subiu, enquanto a despersonalização, a terceira parte do burnout, não mudou de forma significativa. A autoestima subiu (de 30,8 para 33,1 na escala de Rosenberg), e a maioria das dimensões da autocompaixão também melhorou. Os autores descrevem a CCB como uma opção de baixo custo para lidar com o burnout em ambientes de saúde.

Como ler esse resultado

É um estudo pequeno e sem grupo de controle. Por isso, não dá para saber quanto da mudança veio da respiração em si e quanto veio de parar um pouco, estar em grupo ou simplesmente esperar melhorar. É animador, não definitivo. Um ensaio maior, comparando a respiração circular com o relaxamento muscular progressivo, já está registrado na Universidade Humboldt de Berlim (Dziobek et al., 2026), e os resultados vão dizer muito mais.

O que isso significa para você

Se você trabalha numa rotina exigente e sente que está no limite, uma prática estruturada de respiração é uma ferramenta que vale considerar, junto com descanso, apoio e qualquer terapia ou medicação que o seu médico tenha indicado. A respiração não substitui nada disso. O que ela oferece é um caminho direto, pelo corpo, para tirar o sistema nervoso do estado de alerta constante, que é onde a exaustão e a autocrítica costumam se instalar.

Na PEP, as meditações guiadas usam exatamente essa lógica: respirar para regular, e depois escutar o que o corpo tem a dizer.

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Referências

Uysal, G. et al. (2026) ‘Effects of conscious connected breathing exercises on burnout levels, self-esteem, and self-compassion among female healthcare workers’, Eskisehir Medical Journal, 7(3), pp. 267–272.

Dziobek, I. et al. (2026) Confirmatory efficacy and safety of circular breathwork versus progressive muscle relaxation in trauma-exposed adults with subclinical depressive symptoms (RESET study). Pré-registro, Universidade Humboldt de Berlim.

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