Por que nós comemos e como comemos?
O ato de comer tem consigo inúmeras razões que podem vir até mesmo antes da fome ou de se alimentar por uma necessidade de sobreviver.
O fato é que todos nós precisamos comer diariamente, porém, nem sempre, esta ação acontece apenas por necessidade.
Isso porque existem inúmeras razões pelas quais as pessoas comem e muitas motivações que levam à escolha de um determinado alimento.
As motivações podem ser basicamente divididas em duas:
- Intrínsecas: são aquelas inerentes à pessoa, como comer algo porque acha aquele prato saboroso
- Extrínsecas: estão relacionadas a fatores externos, como comer algo porque o nutricionista recomendou ou porque um influenciador digital disse que faria bem.
O mais importante é entender que as motivações para comer, além de variadas, podem ser bastante subjetivas. Por isso, é bastante importante procurar ferramentas que ajudem a identificá-las.
Somente identificando as suas motivações principais é que será possível tratá-las de forma adequada. Assim, ao entender o que leva você a fazer certas escolhas alimentares, permite ajustar melhor esses hábitos.
A técnica de atenção plena aplicada à nutrição comportamental pode ser extremamente vantajosa nesse sentido.
Ciclo de restrição, compulsão e purgação
Talvez você nem imagine, mas existe um ciclo que comumente se repete entre pessoas que enfrentam problemas relacionados à alimentação. É o ciclo de restrição, compulsão e purgação.
O ciclo se inicia quando a pessoa decide fazer alguma dieta da moda, que normalmente é bastante restritiva e pode até excluir certos grupos alimentares do cardápio.
Consequentemente, a restrição leva à outra etapa do ciclo, que é a compulsão. Então, a pessoa tende a apresentar desejos intensos por alimentos que estão fora da dieta.
Quando se sente exausta de lutar contra isso, a pessoa acaba descontando a frustração da desistência na comida e a tendência é comer em maior quantidade, priorizando alimentos menos saudáveis ou que eram restritos, como doces e carboidratos.
A etapa final do ciclo é a purgação, cujo principal componente é a culpa, que vem acompanhada de frustração por não ter conseguido (mais uma vez) atingir o objetivoComer intuitivo versus comer disfuncional
Intuição é um termo que provém do latim intuitione, que significa in (dentro) e tuere (guardar / olhar para).
A intuição também é definida como um pressentimento que nos possibilita entender como algo é ou deveria ser.
Sendo assim, o comer intuitivo é a capacidade de “ouvir” o corpo e conhecer suas necessidades. Não é necessário nenhum conhecimento empírico para isso.
Assim, comendo intuitivamente, você entende a quantidade de alimentos que o seu corpo precisa. Também identifica os tipos de alimentos necessários para manter a saúde e o peso estáveis.
Esse é um conceito criado por nutricionistas americanas, Evelyn Tribole e Elyse Resch. A abordagem é fundamentada em evidências e baseada em mais de 35 artigos científicos.
A abordagem tem como principal função se contrapor ao conceito de comer disfuncional. Esse conceito é o ato de se alimentar sem atentar ao que o corpo pede.
Isso acontece quando você come alimentos não saudáveis, que não fazem bem ao organismo. Também ocorre ao comer grandes quantidades ou ao se alimentar de forma que gera mal-estar posterior.
Princípios do Mindful Eating
Como já vimos, comer é algo natural e que está presente na vida de todas as pessoas. Contudo, nem sempre fazemos isso de forma intuitiva ou consciente, como é o indicado.
É importante entender que esse momento tem uma grande importância e influência no nosso ser e é por isso que comer com atenção plena é uma ótima estratégia.
A técnica, também chamada de Mindful eating, tendo se originado baseada no mindfulness, consiste em trazer a sua atenção ao momento presente, consciente das emoções e sensações do seu corpo, bem como às texturas, cores, aromas e sabores do alimento que será ingerido.
Mais do que isso, trata-se de comer com consciência das emoções, sensações e pensamentos, porém, sem julgamentos, identificando mais facilmente a fome fisiológica e também o momento em que se atinge a saciedade.
Vamos conhecer alguns princípios do Mindful eating:
- Eliminar o pensamento de dietas: a longo prazo, as dietas não funcionam, porém o Mindful eating propõe comer sem restrições, porém de maneira atenta
- Honrar a fome: aprender a reconhecer a fome fisiológica e os horários que ela costuma se manifestar
- Relação amigável com a comida: nenhum alimento é inimigo, o essencial é comer atento à sua vontade e valorizando ao máximo a experiência oferecida aos 5 sentidos.
- Atentar-se à saciedade: sentir-se saciado não é o mesmo que cheio. O Mindful eating permite aprender a identificar a saciedade e entender a melhor hora de parar de comer, quando o corpo já recebeu alimento o suficiente.
Todos esses princípios fazem parte da abordagem do Mindful eating, que pode (e deve) ser aplicada à nutrição comportamental para ajudar a solucionar as questões alimentares necessárias.
Hodômetro da Fome
Você já ouviu falar sobre o hodômetro da fome no Mindful eating? Pois bem, como falado, um dos princípios dessa técnica é identificar a fome e o outro é identificar a saciedade.
O hodômetro da fome é como aquele mostrador que os carros têm para mostrar a quantidade de gasolina que ainda há no tanque. A proposta é que seja possível reconectar-se com os alertas mais primordiais, que permitem reconhecer a fome e seus estágios.
A escala vai de 1 a 10 e é basicamente a seguinte:
- Faminto, com tontura e fraqueza muscular
- Muita fome, com sensação de irritação, falta de energia e estômago roncando
- Bastante fome, com estômago vazio e roncando
- Começa a sentir a fome chegando
- Satisfeito, sem fome e sem sensação de estar cheio
- Levemente cheio
- Levemente desconfortável
- Cheio
- Muito desconfortável e com possível dor no estômago
- Muito cheio e passando mal
É importante lembrar que a fome é uma necessidade fisiológica e que ajuda você a entender a melhor hora de se alimentar. Observando o seu corpo e entendendo melhor essa escala, você conseguirá identificar mais precisamente os sinais do seu organismo.
Consciência alimentar
A consciência alimentar é justamente isso tudo que já falamos até agora. Trata-se de conhecer os diferentes tipos de fome, desenvolver a habilidade de ter atenção plena e então identificar os sinais que o corpo manifesta, compreendendo quando a fome é fisiológica e quando a saciedade é atingida.
Isso não é algo que acontece da noite para o dia e nem sem a sua dedicação, pois é um processo que vai sendo conquistado com a prática..
Tendo uma boa consciência alimentar é possível comer de uma forma mais adequada para o seu corpo, mantendo-o devidamente nutrido e sem sobrecargas alimentares ou excesso de peso.
Tudo isso é o que a atenção plena aplicada à nutrição comportamental pode trazer para a sua vida!
Este curso irá mostrar a você:
- descobrir a prática da atenção plena e como isso está diretamente relacionado à alimentação
- compreender como viver com alimentos não proibidos – filosofia sem exagerar
- ouvir e responder aos pensamentos e crenças que geralmente levam você à geladeira
- aprender a cuidar de todas as suas fomes – físico, emocional, mental e espiritual
- aprender como fazer seu corpo se mover de uma forma que o faça se sentir bem
- compreender como fazer alimentos saudáveis sem demorar muito na cozinha e nem gastar muito
- experimentar o saboroso mundo da comida enquanto é consciente de onde vem a comida e o impacto que suas escolhas alimentares têm sobre você individualmente e globalmente
- desenvolver um plano para seu crescimento contínuo e de sucesso.
